Móvel de Segunda: Cama Patente (quem não dormiu em uma?)

Quem não dormiu em uma?

Este modelo de cama já foi popularíssimo no Brasil. Na casa da minha avó, lá nos anos 1970 tinha algumas destas, que deveriam estar ali há um bom tempo. Sempre que olho para uma destas me lembro da casa da minha avó Paula. Ou seja, é um móvel que ativa minha memória afetiva e imagino que para muitos outros brasileiros também deve ser assim.

A cama patente também é um móvel de design. Ela foi criada em 1915 e se tornou um marco na história do mobiliário brasileiro. O projeto é do espanhol Celso Martínez Carrera (1883-1955), radicado em São Paulo, que emigrou da Galícia para o Brasil em 1906 e trabalhou na marcenaria da Companhia Estrada de Ferro Araraquara, antes de abrir sua própria oficina.

Construída com madeiras torneadas, suas formas eram muito simples, suas linhas puras e leves. Era composta por um conjunto básico de três partes, cabeceira, suporte para o pé e estrado, dentro de um conceito funcional e eficiente, que permitiu sua industrialização a preços populares.

A primeira cama patente foi fabricada em Araraquara para substituir, numa clínica médica, camas de ferro que até então eram importadas da Inglaterra. O início da primeira guerra mundial dificultou as importações e favoreceu muito as vendas das camas patentes inventadas e fabricadas no Brasil.

Celso não teve o cuidado de patenterar sua invenção, que acabou sendo patenteada por um imigrante italiano, Luigi Liscio (1884 – 1974), que chegara ao Brasil em 1894. Devido a essa patente, Celso teve de deixar de produzir as camas que ele mesmo criara.

Industria Cama Patente L. Liscio S.A foi fundada em Araraquara e depois transferida para São Paulo, onde funcionou até 1968. Apesar de toda a controvérsia a respeito da autoria do projeto da cama, essa empresa, foi a precursora da produção de móveis em série no país, e conseguiu conquistar todo o mercado brasileiro.

As versões mais simples da cama patente se transformaram num verdadeiro sucesso de vendas por todo o Brasil, sendo comercializadas nas principais redes de lojas de departamentos da época. Com o passar do tempo foram surgindo versões mais elaboradas e a imbuia e o pinho, matéria-prima original das camas patente foram substituídas pela sucupira, madeira amendoim, pau-marfim e, algumas vezes, até jacarandá. A linha Patente incluía berços, poltronas e mesas de centro.

A cama, que é um clássico do mobiliário brasileiro, ainda hoje tem espaço no mercado, inclusive em versões contemporâneas, como a nova Cama Patente do designer Fernando Jaegger ou a versão comercializada pela Tok & Stok. Pelo jeito, muitos brasileiros ainda irão dormir em uma cama patente.

A Cama Patente

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A cama exposta em um museu de Araraquara

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Na versão madeira ou colorida, a Cama Patente continua  embalando os sonhos Brasil afora10735346_586799448109513_2098081390_n 0,,69797330,00 cama patente branca capa_ibiuna_05 patentecs_nz_amb

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Fotos: Tok&Stok, Fernando Jaegger, Casa&Jardim, Dom Mascate

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